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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amigos de infância


Leonardo e Fabiano eram vizinhos, cresceram juntos, brincaram na rua com os colegas do bairro. Eram muito queridos pelos moradores, pois sempre foram muito educados e respeitadores. Quando crianças fizeram estripulias, como a maioria faz. Roubaram goiabas no quintal do Sr. Adamastor, um viúvo ranzinza que morava num casarão no final da Rua Um. Mas o tempo passou e os dois tomaram destinos diferentes. Leonardo se casou com Priscila e foi morar na Europa. Fabiano tornou-se missionário e foi parar na África.
Nunca deixaram de se comunicar, ou por e-mail ou por cartas, algumas vezes por telefone. Fabiano estava no Congo, um país devastado pela guerra, e lá na região onde morava a comunicação era meio difícil. De vez em quando ia até a cidade mais próxima onde tinha mais recursos e então conseguia se comunicar, mas isso era de quinze em quinze dias ou até mais.
Leonardo estranhou não receber nenhuma mensagem de Fabiano no dia do seu aniversário. Ficou preocupado. Sabia que alguma coisa tinha acontecido. Sua esposa tentou de todas as formas remover seus pensamentos, mas ele continuava convicto de que algo teria acontecido, pois seu amigo lhe era fiel. Decidiu partir até a África, mesmo contrariando a vontade de sua amada Priscila, que fez de tudo para dissuadi-lo da idéia. Temia que algo lhe acontecesse naquele lugar.
No outro dia, com o coração apertado Leonardo entrou no avião e partiu ao encontro do amigo. Não podia ficar com aquela dúvida. Fabiano nunca se esquecera de seu aniversário, sempre mandava algum recado. Ao chegar a seu destino, sentiu um calafrio. Seguiu em direção ao vilarejo onde morava seu amigo. Foi informado de que ele estava no hospital da cidade vizinha. Estava muito mal. Era a informação que lhe deram. Aflito seguiu até o hospital. Entrou correndo pelos corredores. Não queria que o pior tivesse acontecido. Sua cabeça estava povoada de pensamentos ruins, daqueles que nos cercam nestas horas de ansiedade. Não podia acreditar que não ouviria mais a voz de Fabiano. Pedia a Deus uma chance, um tempo pelo menos para falar oi.
Abriu a porta do quarto. Fabiano estava pálido, olhos cerrados, inerte numa daquelas camas frias. Leonardo não se conteve, chorou amargamente, olhando-o de longe. Sentiu um remorso, uma dor na alma. Seu amigo naquela situação de abandono, em meio a vários outros doentes. Conteve os soluços e se aproximou dele. Tocou levemente as mãos de Fabiano, que com muita dificuldade pronunciou as seguintes palavras: “Feliz Aniversário, amigo fiel!” Logo em seguiu abriu os olhos e esboçou um sorriso para Leonardo, que suavemente encurvou-se para abraçá-lo. “Eu vou levar você daqui” – disse. Fabiano apertou sua mão e mais uma vez balbuciou: “Obrigado. Eu esperei por você o tempo todo. Sabia que não falharia comigo”.
            Leonardo voltou pra casa feliz por ter tido a chance de demonstrar o quanto o amava. Nada pode fazer para reverter a situação, mas pode expressar com seu gesto o que seu amigo esperava: fidelidade, lealdade. 
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