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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os desabrigados


          - Não estou agüentando mais papai! Já faz dias que perambulamos por estas ruas e não encontramos o tal mercado. Estou com fome, querendo um lugar macio pra dormir...
            - Eu sei Letícia, mas está difícil, minha filha. Venha comigo!
            Ela o seguiu. Entraram numa lanchonete e retornaram rápidos, encharcados. Uma das garçonetes estava lavando o estabelecimento e derramou um balde d’água sobre eles.
            Ficaram sob o sol um pouco e logo depois prosseguiram a caminhada. A mãe seguiu ao lado de Kaio, o filho mais velho; enquanto Patrick, o filho do meio, foi ao lado do pai também.
            Ninguém notava a presença daquela família. Até mesmo a garçonete. Jogou água sobre eles por ignorância. Sentiam-se desprezados e viam a morte a cada instante. Não tinham onde morar, foram obrigados a abandonar o lar por causa de uma madame que queria matá-los, como fez com os demais vizinhos, os quais foram covardemente assassinados. Sem escolha partiram pra rua e deixaram tudo pra trás.
            Sem dinheiro, sem emprego procuravam um lugar seguro para se estabelecerem, mas cada dia que passava tudo se tornava mais difícil e a alimentação era complicada e muito arriscada, sempre correndo riscos.
            De repente avistaram o tal mercado. Seguiram aflitos. Com certeza ali encontrariam algo para se alimentar. As pessoas se espremiam naquele local, era preciso tomar cuidado para não se perderem. Passaram perto de uma floricultura, depois avistaram uma lanchonete e inúmeras pessoas em pé ao redor do balcão.        
            - É agora! – Disse Harold – Cada um escolhe uma pessoa, mas tomem cuidado com a gula!
            Quando partiram para o ataque ouviram um cachorro latir. Pararam instintivamente. Entreolharam-se sorridentes.
            - Uma luz no fim do túnel – Kaio.
            Seguiram em direção ao latido.
            - Lá está ele preso em umas correntes! – disse Beatrice.
            Os cinco pararam diante daquele animal e não contiveram a emoção.
            - Eu não disse que encontraríamos um novo lar? – disse Harold – esperem aqui, vou verificar se não há remédios contra nós em seu corpo.
            Minutos depois ele retornou e disse:
            - Liberado! Venham!
            Então a mãe Beatrice e os três filhos pularam sobre o cachorro e ali viveram felizes até ele ser vendido pra outra madame.
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