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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Psicopata na Rede (final)


O Começo de tudo.

Valquíria estava sentada na calçada, com os sapatos nas mãos. Ao avistar o carro de seu pai se aproximando, levantou-se e despediu de suas amigas, agradecendo pela festa surpresa.
__ A festa foi boa? – Indagou seu pai assim que ela entrou no automóvel.
Ele estava com um bafo de cachaça, mas ela já estava acostumada com aquilo. 
__ Ótima. Quero ver o que o senhor vai me dar, daqui a dois anos, quando eu fizer quinze.
Ele a olhou de um jeito estranho.
__ Eu vou dar a você um presente especial. É uma surpresa. Mas antes tome esse remédio. Ele lhe fará dormir bem melhor depois dessa noite agitada que teve. 
Parou o carro e lhe deu um sedativo.
Horas mais tarde, chegaram a casa, e ele virando-se para sua esposa, disse:
__ Demorei?
Valquíria soltou-se de suas mãos ainda meio tonta e foi para o seu quarto. Entrou no banheiro, ligou o chuveiro e se lavou várias vezes. As lágrimas misturavam-se com a água. Depois se atirou em sua cama e apagou entre soluços e a dor. Sentia-se perdida. Sentia-se roubada. O que mais lhe restava?
Sob ameaças aquele horror se repetiu inúmeras vezes.
Valquíria sentia-se morta e procurava uma maneira de se livrar de seu assassino.
E encontrou.
Quando completou quinze anos ganhou uma grandiosa festa do seu pai. Do jeito que sempre imaginou, mas só ela sabia que nada mais significava. Minutos antes de dançar a valsa, ela aproximou-se do pai e o beijou na face. Depois lhe deu uma bala. Ele a colocou na boca imediatamente, sem imaginar que ali dentro estava um veneno mortal. Ela sorriu e falou ao pé do seu ouvido:
__ É pra tirar esse seu bafo de cachaça. Busque o meu sapato pra dançar a valsa. Eu esqueci em casa.
Antes dele se retirar, ela deu outro beijo no rosto dele e falou:
__ Não demore! Ah! Obrigado pela festa, papai! E tome cuidado ao dirigir...
Ele saiu rapidamente. Entrou no carro e acelerou. Suas vistas se escureceram. Perdeu o controle e se chocou contra uma carreta que transportava madeiras.  A colisão foi tão forte que o decapitou.
                                                               ***
Depois do velório do seu pai, ela foi para o seu quarto e ligou o computador. Começou a bater papo.
__ Qual o seu nome?
Ela ficou pensativa, depois disse:
__ Meu nome? Meu nome é Juliana.
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