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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Papo de bactérias


                        __ Estou cansada dessa vida!
                        __ Eu tenho tanta saudade daquela boca...
                        __ Pare de se lastimar, vamos tentar encontrar uma maneira de sair daqui.
                        __ Quem vai querer beijar esta boca fedida?
                        __ Sei lá. Não podemos perder a esperança. Um dia quem sabe, entra uma língua aqui dentro e vem aquela salivada, daquelas que a gente tem saudade, limpinha, cheirosinha... aí a gente pula pra lá.
                        __ Pára! Pára! Eu não gosto nem de lembrar o dia em que fui tragada para esta boca maldita. Estava eu quietinha, descansando debaixo da língua, quando de repente fui sugada com tanta violência que não tive como escapar. Foi um beijo só. Esperei que se repetisse, mas...
                        __ Quem vai querer repetir beijo nesta boca cheia de dente podre! Às vezes penso que vou morrer asfixiada pelo bafo...cof!cof! cof! E ela ainda fuma.
                        __ Ah! então você também não tem muita esperança... lá vem mais fumaça! Cof!Cof!Cof!
                        __ Tenho. Um dia alguém vai encarar.
                       __ Eu não aguento mais viver nessa vida! E pensar que morava tão bem, comia do bom e do melhor. Nessa boca entra só comida esquisita...
                        __ E ainda por cima não escova essa dentaria feia. O pior são essas coleguinhas ali, sentadas na gengiva, chatas, insuportáveis, bregas. Olha como se comportam!
                        __ Ai amiga, não liga não. Aposto que elas só conhece esse submundo. Nós não! Já estivemos no primeiro mundo, música boa, comida maravilhosa, tudo de primeira qualidade.
                        __ Eu me lembro uma vez que fui parar na boca de um cachaceiro. Menina! Eu só andava assim, ó! (cambaleou, imitando um bêbado). Foi fácil sair, parei na boca de uma prostituta, foi uma loucura, era cada coisa que ela colocava na boca!
                        __ Um dia caí na boca de uma criança. Por fim não aguentava mais doce na minha vida. Toda hora uma bala, um chiclete. O bom mesmo foi parar na boca de um empresário. Tudo do melhor.
                        __ Minha filha, eu não te contei quando parei na boca de uma modelo. Ali sim eu pensei que ia morrer. A danada não comia quase nada. Nem beijar ela beijava. Mas eu preferia estar lá...
                        __ Cuidado! Acho que é nossa chance.
                        __ Ai amiga! Só água... Já sei, vamos fazer cócegas na garganta dela, assim ela vomita.
                        __ E nós vamos parar no ralo da pia ou quem sabe no vaso. Se ela não cuida da própria boca, imagina como estão a pia e o vaso!
                        __ Ai que nojo! Espera! Ouvi voz de homem.
                        __ É agora! Fique pronta!
                        __ O que é isso? Dá licença! Está vindo pra cima de mim!
                        __ Vem logo! Cuidado! Vai te furar...
                        __ Credo! Está furando a gengiva dela!
                        __ Ai que alívio...
                        __ Cuidado! Olha aí! Que barulho é esse? Está vindo em sua direção! Sai desse dente!
                        __ Ufa! Essa foi por pouco...
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