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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Cama dos pais



Eu tenho dois filhos, uma menina e um menino. Nada de dizer mocinha e um rapazinho porque isso me dá um frio na espinha. Não gosto de pular etapas e nem de sofrer por antecipação, mas não é sobre isso que quero falar. Quero falar de algo que se tornou freqüente minha vida. Toda noite um deles ou às vezes os dois acordam de madrugada e vão se alojar na minha cama. O menino sempre chega e me acorda dizendo “paizão posso dormir na sua cama?” Ou “paizão vem dormir na minha cama comigo”! A menina de sete anos chega sorrateira e espreme a minha esposa e eu. Joga as suas pernas sobre um de nós, atravessa na cama e muitas vezes amanhecemos com torcicolo porque o pescoço fica quase dependurado de tanto que ela mexe. O pequeno gosta de dormir nas minhas costas. Ainda bem que só tem três anos e não pesa muito. Outras vezes dorme no meio de nós e joga seus braços no meu pescoço me deixando muitas vezes sem ar.
Ao comentar com amigos essa situação surgem os psicólogos de plantão, os terapeutas sexuais e toda espécie de analistas ou sei lá o que. Você não pode deixar isso acontecer! Atrapalha a vida do casal! Isso não está certo! E mais um monte de coisas, mas eu pergunto: existe lugar melhor e mais seguro pra dormir que a cama dos pais da gente? Quem quando criança nunca fugiu no meio da noite pra cama dos pais? Principalmente quando temos um pesadelo ou quando estamos com medo de alguma outra coisa. Não quero privar meus filhos dessa delícia, pois não sei quando tempo nos resta nesta vida e por que proibi-los de uma coisa que lhes dá alegria e conforto? Por que negar este amor tão inocente? De jeito nenhum!
Lembro-me que quando criança eu sempre mergulhava na cama de meus pais. Ia pelo lado dos pés e entrava debaixo da coberta entre os dois e ficava até o dia amanhecer. Nunca me negaram esse carinho. Diziam: “Já vem você igual um gatinho”. E o quarto dos meus pais se enchia quando íamos a algum velório, pois tínhamos medo de dormir depois, mesmo não vendo o defunto, pois eles não nos deixavam ver pra não ficarmos impressionados. Então colocava colchões no chão e amontoávamos todos ao redor dos nossos heróis. Em tempos de tempestade também. Era a melhor coisa do mundo. O calor, o cheiro, o abraço, a presença deles era tudo e nada rouba de mim aqueles momentos tão maravilhosos e tenho certeza que não me fez mal e nem a eles. Foi uma experiência de amor e isso não tem preço nem tempo que apague, por isso eu e minha esposa não impedimos nosso filhos desse deleite.
O que não pode acontecer, em minha opinião, é os filhos só dormirem com os pais o tempo todo. Aí sim eles tiram a privacidade do casal, mas quando vão para a nossa cama de madrugada, não atrapalha em nada é só um acréscimo de carinho que teremos durante a noite e com certeza teremos filhos amáveis e carinhosos. Já dizemos muito não durante o dia e passamos muito tempo longe deles, acho normal desejarem esta presença à noite. O meu menino outro dia chegou de mansinho e eu repeti a frase dos meus pais: “já vem você igual um gatinho”, ao que ele respondeu: “Eu sou anjinho e anjinho voa.”  Para um pai isso é lindo e quem quiser impedir que impeça os seus filhos, dos meus cuido eu.
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