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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Eu?


Outro dia, em pleno domingo, acordei com alguém chamando na porta da minha casa. Relutei em levantar, tentei fingir que não escutei, mas a pessoa começou a bater palmas insistentemente; sabe aquelas palmas que tiram você do sério, e chamava sem dar tempo de responder. Não tinha como continuar deitado, muito a contra gosto levantei. Antes, porém, espreguicei bem sobre a cama. Fui atender ainda de pijamas. Deparei-me com uma senhora bem magra, segurando uma bolsa em uma das mãos e na outra um guarda-chuva fechado. Nunca havia visto aquela criatura. Usava um vestido surrado de cetim amarelo e trazia uma blusa de frio enrolada na cintura, o cabelo estava amarrado com uma fita amarela, parecia daquelas que vem em embrulho de presentes. Olhei-a de cima a baixo indiscretamente mesmo e pensei: "Que figura!" Mantive certa distância, e antes de perguntar o que ela queria, imaginei mil coisas. Debrucei sobre o portão e indaguei:
__ O que a senhora deseja?
__ Ah! Moço, o senhor estava dormindo?
__ Estava - disse sem pensar na sua reação.
Estava dormindo mesmo. Ia falar que não? Ia dar aquela resposta típica pra não desagradar? Aquela tipo assim: não! Imagina! Estava vendo televisão. Ou então aquela: Estava sim, mas já é hora de acordar mesmo. Preferi falar a verdade. Estava dormindo e não pretendia acordar tão cedo.
__ O Senhor me desculpe então. É que eu preciso de uma informação.

Informação? Ah meu Deus! Eu mereço, pensei. Ainda por cima me chamou de senhor, mas isso não importa.
__ Pode falar.
__ Onde fica a Rua São Paulo?
__ A senhora está nela. Quem está procurando?
__ Um primo meu que não vejo há muito tempo.
__ Qual o nome dele?
__ Juarez.
__ Tem certeza?
__ Tenho. Juarez Ferreira Ribeiro. Você conhece?
Sem comentários. Tire você suas conclusões.


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