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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma mulher horrível e nua




Coisa muita rara, mas acordei ao ouvir um barulho ao redor de casa. Esfreguei os olhos, olhei o relógio. Eram quase três horas. Afastei a cortina da janela e me assustei com o que vi. Uma mulher totalmente nua vagava pelo meu jardim. Por um momento fiquei sem ação. Ela andava cabisbaixa, parecia procurar alguma coisa. Estava acima do peso com certeza, pois não via suas curvas, mas os seus seios enormes eu conseguia enxergar nitidamente. Eles balançavam desesperados acompanhando os passos dela. Ela trazia na mão alguma coisa que eu não pude identificar daquela distância. Talvez fosse um celular. Vez ou outra passava a mão nos cabelos. Estes, por sua vez, pareciam necessitar de mais cuidados.

Tive vontade de ir até ela, mas fiquei parado como um voyeur, contudo nada me atraía nela. Queria apenas saber o que fazia em meu jardim aquela hora da madrugada. O que estava procurando? De repente ela sentou-se em um banco e colocou a cabeça entre as pernas. Parecia chorar. Senti pena mesmo sem saber por que chorava. Na verdade nem sei se chorava. Pensei que ela fosse permanecer naquela situação por um longo tempo, mas num sobressalto ela se levantou e olhou em minha direção. Escondi atrás da cortina, mas com certeza ela havia me visto. E agora? O que pensaria de mim? Fiquei até sem fôlego e tentando encontrar uma desculpa, mas logo tomei as rédeas daquela situação. Estava na minha casa. Eu não era um invasor.

Olhei novamente pela janela, mas não a vi. Percorri o olhar por todo o jardim e vi apenas um pano colorido estendido na grama. Nisto ouvi alguém mexer na porta. Permaneci imóvel e degustei o suco gástrico que me veio à boca. Afastei da janela e comecei a minha arma. E enquanto procurava, ouvi passos dentro de casa. Desci as escadas e então me lembrei que não tinha arma nenhuma. Nunca tive nem um revólver de brinquedo. Aquela mulher estava me perturbando. Fui até a cozinha e peguei uma faca. Peguei também um tomate pra disfarçar, como se tivesse preparando algo para comer, mas que idiota! A uma hora daquelas. Joguei o tomate no chão e coloquei a faca na cintura. 

Aproximei da porta e toquei a maçaneta. Abro ou não? Pensei. Girei a chave lentamente e abri. Não havia ninguém lá fora. Senti uma pressão forte no meu peito. Voltei correndo para o meu quarto. Aquela mulher estava lá gorda e nua na minha frente. Ela não disse uma palavra sequer. Nem sorriu. Fez um sinal com o dedo para eu ir até ela e em seguida deitou sobre a cama. Claro que eu não fui. Peguei meu celular. Ia ligar pra polícia, mas não deu tempo. Ela veio até mim e me abraçou forte, esmagando seus seios enormes no meu peito franzino. Fiquei sem ar e tomado pelo susto senti uma forte dor no peito. Então eu a vi sorrir. Só tinha um dente na parte superior. Um canino. Pegou uma agenda e disse pra si mesma: “O próximo agora é o Fabiano da Silva Neto.” Ao dizer riscou um nome na agenda. Provavelmente o meu. Cai como um abacate e não vi mais nada.

Quando acordei já estava noutra dimensão, foi aí que entendi quem era aquela mulher horrível e nua.
Juarez do Brasil

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