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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Uma mulher horrível e nua - parte 2 e ponto final


Vou contar o que aconteceu após aquele fatídico abraço, e espero que eu saiba explicar com o mínimo de detalhes, mas isso pra mim é um pouco complicado, pois não sou detalhista. Sempre costumo ir direto ao ponto. Tipo quando tenho que dar uma notícia de morte, vou logo dizendo à queima roupa, sem aqueles tradicionais rodeios: sua mãe está muito mal ou então você precisa ser muito forte porque tenho uma péssima notícia pra lhe dar. Eu vou logo dizendo: sua mãe morreu, seu irmão bateu o carro e não sofreu nada. Morreu na hora. Mas vamos então ao que aconteceu comigo.

Logo que fui abraçado por aquela visão eu senti uma dor “infartante” no peito e cai. Mas parecia que não tinha fim a queda. E uma escuridão tomou conta de mim, tentava enxergar, esfregava os olhos e não via nada, parecia que eu estava dentro de um tubo e depois comecei a ver um ponto de luz muito longe e em questão de segundos eu o alcancei. Era tão forte que eu tapei meus olhos pois me cegava. Então senti meus pés tocarem algo macio. Lentamente tirei minhas mãos do rosto e contemplei uma paisagem muito bonita, mas nada como estava acostumado a ver em filmes ou em novelas. Eu estava sobre uma espécie de grama, mas não sei explicar direito como era. Sei que era felpuda, e exalava um perfume de agradável odor. 

Eu olhei para todos os lados e não vi ninguém nem anjo nem borboletas, apenas o vento eu vi. Vi mesmo, não apenas senti. Assim como vi o perfume subindo da grama e alcançando minhas narinas e que narinas. Fiquei fascinado. O perfume era azulado e o vento tinha várias cores, umas reluzentes outras um pouco foscas. Então eu sai andando lentamente por aquela imensidão. Era como se eu estivesse no mar. Eu olhava e não via fim, não via montanhas, era tudo plano. Pra onde ir? 

Confesso que comecei a ficar aflito. E quando eu sentisse fome e sede? Não vi nenhuma árvore frutífera. Não vi uma casa sequer. De repente comecei a ouvir vozes ao meu redor, mas não via ninguém. Senti alguém me tocar. Então gritei: “-Quem está aqui?” Só ouvi uma voz dizendo que houve um engano. E na mesma hora eu senti como que puxado violentamente para trás e voltei pelo mesmo “tubo” escuro e parece que foi mais rápido do que a viagem de ida. Lá estava eu novamente deitado em minha cama.

Levantei num sobressalto e olhei o relógio. Eram três horas. Corri até a janela e vi aquela mulher horrível e nua saindo do meu jardim. Olhei para meu corpo e me apalpei. Eu estava sonhando? Ou havia sonhado? O telefone tocou e eu tive a resposta ao atendê-lo. Era minha cunhada me avisando que meu irmão gêmeo acabava de falecer. Teve um infarto. Quase surtei. Foi então que eu entendi tudo. A morte quase me pegou por engano. Tomara que seja demitida. 

Fui correndo para a casa do meu irmão, e confesso que fiquei muito inseguro durante o velório. Vai que não houve engano? Ai… senti uma pontada no peito...

Juarez do Brasil
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