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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Alegoria


Eu não quero palavras
Nem as mais belas e confortantes
Eu não quero promessas
Nem as de glória ou de vitórias
Eu não quero música para dormir
Nem canções para dançar


Estou farto das emoções corriqueiras
Não preciso de lágrimas nem de abraços
Não quero conselhos
Não quero brincadeiras para me distrair
Não preciso de olhares piedosos
Eu colecionarei as pedras pelo caminho
E dos espinhos farei minha própria coroa


Preciso rever minha trajetória
Tomar caminhos diferentes se preciso for
Seguir a razão sem ressentimentos
E não cultivar emoções sejam quais forem
Não quero palavras de consolo
Nem ombros para repousar minha cabeça
Nem afagos nem beijos, nada superficial


Não quero sorrir como os tolos fazem
Nem brincar de ser feliz
Não quero favores: laços que me prendem
Não quero a paz comprada
Nem a guerra por si mesma


Não quero amigos
Nem esperança tenho de encontrá-los
Há sempre uma mentira regendo a orquestra
A verdade é ocultada com a desculpa de não ferir


Não quero fugir de um crime
Não preciso de advogado
Medo eu não tenho da prisão
Há vida do outro lado das grades
Nem precisarei de visitas


Eu não quero mais falar de amor
Eu não quero mais falar de poesia
Eu quero é fazer ecoar pelo mundo o meu grito.

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