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quarta-feira, 12 de março de 2014

A menina da minha rua

  
 Ontem às 21:30 eu fui caminhar com minha esposa. Confesso que eu queria mais era ficar quietinho em casa descansando, mas para lhe fazer companhia eu fui. Afinal quem ama com o amado quer estar. Passamos perto da Matriz São José e seguimos em direção a saída da cidade. Depois retornamos e tomamos a rua da “cadeia” como costumamos chamar. Quando passamos pela ponte uma cena nos chamou a atenção. Vimos uma menina de aproximadamente 14 anos em um boteco rodeada de homens, sentada à mesa. Nós vimos aquela menina nascer. Já moramos na mesma rua. Ela vestia um short tão short e justo e uma blusa agarrada ao corpo que a deixava toda insinuante. Tivemos um sentimento de piedade e ao mesmo tempo de culpa. Um sentimento de impotência. O que poderíamos ter feito por aquela pobre menina? O que a vida significa pra ela? Quais os sonhos dela? 
   Continuamos nossa caminhada e aquela cena também continuou em minha mente. Ela nos olhou retraída e baixou a cabeça. Parecia se envergonhar daquela situação de miséria, de prostituição. Talvez esperasse algo de nós, de alguém próximo. Talvez esperasse ajuda, um amparo, um abraço de pai, um aconchego. Aconchego que não encontra em casa, pois a sua vida em família é marcada por brigas, drogas, bededeiras, prostituição… Será que algum dia conheceu o amor? Será que algum dia recebeu o carinho de pai ou de mãe? Fiquei pensando o que se passa naquela cabecinha de criança. Qual o futuro dela? Tão nova e tão perdida, tão nova e talvez tão desacreditada do mundo, das pessoas, da vida. Talvez já nem se sinta viva mais. 
   Parece que chega um ponto que a pessoa já não se sente mais humana e age como animal, guiada apenas pelo instinto e passa a viver às margens da vida. Tudo cheira a podridão e catástrofe. Olham-nos como se fôssemos extraterrestres. E talvez sejamos mesmos, pois vivemos em mundos totalmente opostos. Não se pode misturar. Estão contaminados e carregam dentro de si o isolamento, o cincerro no pescoço para nos alertar de sua aproximação. Situação lamentável, deplorável. Onde está o CONSELHO TUTELAR? Onde estão as autoridades que não tomam as devidas providências? Acorda Brasil se dos filhos deste solo és mãe gentil!
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