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domingo, 5 de outubro de 2014

Amargura na alma


Eu não tenho mais sonhos. Abandonei-os na beira da estrada e muitos deles eu deixei o vento levar. Tenho os pés no chão. Sou de mim mesmo e de mais ninguém. Não carrego em meu peito essas superficialidades. Não quero mais sofrer por causa de um sonho, por isso decidi não tê-los nunca mais. Vivo o hoje. E o que vier será lucro. Não espero nada de ninguém. Nem amor nem ódio. Não espero que me compreendam nem peço isso. O meu mundo é impenetrável. Quer dizer, meu mundo é só meu. Não cabe mais ninguém. Só de passagem. 

Tanta coisa tola já vivi por acreditar nas pessoas, nos sonhos. Tantas certezas eu já tive! E não deram em nada além de decepção e dor; frustração e derrotas. Quantos momentos perdidos! Quantos momentos mal vividos! Já abri mão de muita coisa em prol da felicidade e até hoje não vi sua cor. Em que acreditei? Por que nada deu certo? Será que eu não mereci realizar o menor dos meus sonhos? Será que não lutei o suficiente? Quantas perguntas idiotas! Quanta besteira! Nada disso mais importa. Importa o que sou agora.

Sou solitária por opção. Amizade só com meus cachorros. Eles não me fazem mal. Da vida eu só quero o ar pra respirar e quando me faltar já não me importarei. Estou preparado. Vivo a morte todos os dias. Cada dia enterro parte de mim que foi morta por alguma decepção, por algum sofrimento. Estou me velando sob o sol e sob a lua. E pra ser sincero eu vejo uma grande beleza nisso tudo. Estou livre! Não me apego a nada, a prazeres, a sonhos, a vida, a coisas, dinheiro, pessoas… Sou realmente livre!

Saudade é uma palavra que não uso faz tempo. Faço o meu trabalho da melhor maneira possível porque preciso dele pra sobreviver. Não me envolvo mais em projetos beneficentes nem faço caridade. Isso não me comove. A fome não me sensibiliza, a pobreza não me causa compaixão. Sou como as pedras atiradas em mim. E não sinto falta do que eu era. Acreditei em muita coisa, lutei pelos ideais que eu acreditava e o que vi foi a morte, o que vi foi traição, mentiras. Perdi muito tempo correndo atrás do vento! Perdi muito tempo abraçando sonhos. Perdi muito tempo buscando respostas. Elas nunca vieram. 

Se eu sou feliz? Faça-me o favor! O que isso importa? Vou seguindo meus dias, velando-me a cada segundo e então quando a hora definitiva chegar nem precisarão derramar lágrimas por mim porque eu mesmo já terei regado o meu jardim com elas.


Juarez do Brasil
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